quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Virginio - Finalmente (2011)


Finalmente é o segundo disco do jovem cantor Virginio Simonelli e o primeiro pós-Amici. Vale lembrar que o rapaz venceu a décima edição do programa televisivo supracitado. Contudo, antes mesmo de participar de Amici di Maria de Filippi, Virginio já tinha no seu currículo um álbum lançado (Virginio, 2006) e uma participação no Festival di Sanremo (Nuove proposte, 2006)
Voltando a "Finalmente", trata-se de um EP composto por sete faixas inéditas, das quais cinco levam o nome de Virginio seja na composição e/ou no arranjo. E aqui cabe uma observação sobre a vitória do cantor no Amici e a qualidade do seu disco de estreia. Durante a décima edição do Amici, e depois dela, comentei diversas vezes que julgava Annalisa Scarrone como a melhor participante, logo quem eu esperava que vencesse. Continuo pensando da mesma forma. Acho ainda que o álbum pós-Amici de Annalisa, "Nali" (2011), é superior a "Finalmente", porém o trabalho de Virginio como "cantautore" é mais consistente do que a cantora de Savona, pois a única música de Nali que foi composta por Annalisa é justamente a mais fraca do álbum, e notadamente inferior às demais. Dessa forma, sigo achando que Annalisa merecia ganhar, mas reconheço que Virginio é um jovem muito talentoso, tanto como cantor quanto como compositor.

A música que abre o disco é justamente a que o nomeia: Finalmente. Já na primeira faixa Virginio demonstra o bom interprete que é. A letra da música não é nenhuma obra-prima, mas é perfeitamente aceitável e não tem nenhuma das rimas demasiadamente batidas sobre as quais sempre falo. 

A segunda faixa trata-se de Ad occhi chiusi, música escolhida para ser o primeiro single do EP. E a escolha não poderia ser menos acertada, trata-se sem dúvida da melhor canção do disco. Digo também que é de uma das mais bonitas de todo o ano no panorama musical italiano. A interpretação de Virginio é impecável, e não o falo apenas da voz bem utilizada em agudos belíssimos. Trata-se realmente da emoção transmitida em todos os versos da música. 

Non ha importanza e A maggio cambio (escrita por Francesco “Kekko” Silvestre, do Modà), são as terceira e quarta faixas, respectivamente. São músicas boas, não se destacam como Ad occhi chiusi, mas não há nada nelas que as desabone ou interfira na qualidade do disco. 

Dolcenotte, quinta música a compor "Finalmente", é aquele exemplo de canção simples, porém com um mínimo de originalidade que aliada a uma boa interpretação resulta em uma ótima música. Sale, segundo single do disco, e sobre a qual já falei aqui, é a faixa que destoa das demais. Contudo, de uma forma benéfica. Ao contrário das anteriores, esta faixa não tem como tema principal o amor. O foco aqui é o outro muito comum aos jovens, a  liberdade. Sincero, última canção do disco, é outra que merece elogios e encerra muito bem "Finalmente". 

Acredito que o mais relevante deste EP é que ele nos mostra que ainda é possível fazer trabalhos relativamente bons tendo como público alvo os jovens e cantando sobre questões amorosas. Basta ter o mínimo de originalidade e um bom intérprete. Penso ser esse o ponto principal que diferencia este de outros jovens cantores saídos de programas televisivos, pois talvez alguém esteja estranhando o fato desses elogios a Virginio e críticas a, por exemplo, Valerio Scanu. Este tem um timbre tão bonito quanto o do Virginio, e talvez até seja mais preciso e refinado vocalmente, porém não emociona quando canta, ou seja, ainda que seja um cantor muito bom não é um intérprete de mesma qualidade. Assim, Virginio, mesmo tendo muito para evoluir, apresentou um trabalho digno de um jovem cantor e compositor que pretende trilhar um caminho no cenário musical italiano. Quem sabe o veremos no Sanremo do ano que vem, e dessa vez na categoria dos cantores já consagrados.




Melhores músicas: Ad occhi chiusi; Sincero.
Piores músicas: (não há).
Nota: 8.0

4 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabio disse...

Sem querer polemizar. Não tenho nada contra o Virginio e os admiradores de seu trabalho, porém, creio que esses cantores, vindos de talent shows, contribuem de maneira significativa para a banalização da música italiana atual, tirando inclusive o lugar dos verdadeiros talentos, que muitas vezes têm as portas fechadas em virtude de um mercado musical aquecido, porém de qualidade duvidosa. Além do mais, não os vejo projetados para um sucesso longo e duradouro, visto que praticamente em sua totalidade cantam apenas músicas comerciais. Sinceramente, a música italiana não precisa disso, os representantes de sua melhor fase como Modugno, Morandi, Celentano, Mina, Baglioni, chamaram a atenção e chegaram ao sucesso pelo seu notário talento, assim como os mais recentes, Ramazzotti, Pausini, Pezzali, Bocelli... Os efeitos dos talent shows são visíveis inclusive no Sanremo, tendo em vista as aberrantes vitórias de Carta e Scanu. Sei que o assunto pode parecer polêmico, mas é apenas um ponto de vista sobre a atual situação da música italiana.

Bruna / Chiisana Hana disse...

De certa forma, concordo com você, Fabio. Não aprecio os talent shows e vejo poucos cantores realmente talentosos que saíram deles. A grande maioria é pura perda de tempo.

Alexandre Novaes de Godoy. disse...

Assim como no Brasil o sucesso dos ganhadores desses programas são efêmeros e nem sempre ganha o melhor. Aliás boa música e boa voz nunca foi parâmetro para o sucesso. Provavelmente um Eros Ramazzotti com sua voz anasalada não chegaria nem a semi-final e ainda seria criticado pelo júri. Não consigo simpatizar por alguns desses cantores, como por exemplo, Marco Becucci, Valerio Scanu, Pierdavide Carone (Arrrghhh,,,ainda bem que Loredana errore ganhou apesar de não me agradar tb)...Outros já me agradam como Marco Mengoni e por incrível que pareça, me agrada muito Virgginio. Acho que tem carisma, um jeito simpático e tenho gostado do que tenho ouvido dele, apesar de saber que nunca vai ser um popstar do nível de Nek, Eros, Biaggio, Jovanotti ecc..Músicas simples também são para serem curtidas. Toda música é feita para atingir um público, umas atingem um público de cem pessoas, outras de mil, outras de milhões mas o objetivo é vender o trabalho. (ou seja toda é comercial)